O que ensinar em Ciências do 6º ao 9º ano
A observação de fenômenos e a experimentação são fundamentais para que os alunos ampliem os conhecimentos na área

Fotos: Paulo Vitale (imagens 1 e 3) e Marcos Rosa
Ciências não se aprende só na prática. É claro que experiências laboratoriais são válidas. Porém não são só elas que permitem à garotada compreender os conceitos da área. Consultores sugerem investir também nas pesquisas e na realização de projetos didáticos, como a construção de uma maquete do Sistema Solar ou outros ligados a temas do cotidiano dos estudantes, como uma campanha por uma alimentação saudável (leia uma proposta de plano plurianual para a área).
Luciana Hubner, gerente de formação de projetos educacionais da empresa Sangari, afirma que as práticas e os conteúdos desenvolvidos do 6º ao 9º ano não se modernizaram. "Não temos um currículo de Ciências, mas apenas orientações gerais trazidas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)." Para driblar essa dificuldade, mais do que seguir o livro didático, é importante trabalhar com temas dentro de um contexto social e culturalmente relevante para o aluno de modo a proporcionar uma aprendizagem significativa ( ver abaixo as expectativas de aprendizagem). Com base nessa perspectiva, ao abordar conteúdos como as estações do ano e as regiões climáticas, você não pode deixar de comentar catástrofes climáticas - as enchentes no Sul do país, como a de Blumenau em 2008 e as do Rio Grande do Sul em 2009, e as secas recorrentes no Nordeste são bons exemplos.
1. Pesquisa
A aprendizagem significativa é uma necessidade para os jovens. Por isso, se torna importante que nas situações-problema propostas o conteúdo seja próximo da realidade dos estudantes. "Se não fizer sentido, a atividade vira apenas mais uma tarefa. É preciso criar propósitos e estímulo para a busca de outras informações", explica Celina Martins de Mello Morais, professora da Escola da Vila, em São Paulo. "Novas perguntas é que vão fazer os alunos avançarem."
Pesquisa e escrita são essenciais na aprendizagem
O ensino da disciplina deve criar condições para que o aluno faça pesquisas - com a aplicação do método científico - e desenvolva o pensamento crítico e a argumentação sólida. Para tanto, relacionar os conceitos da área às questões sociais, tecnológicas, políticas, culturais e éticas (relações de contexto) é essencial. Cabe ao professor durante as aulas, ainda, estabelecer relações entre os conceitos vinculados a conteúdos estruturantes (relações conceituais), os científicos e os ligados a outras disciplinas.
Parte dos conteúdos desenvolvidos de 6º a 9º ano já foi trabalhada antes. Por isso, a sistematização de ideias científicas de forma estruturada é essencial para aprofundar os conhecimentos. A produção de textos informativos e esquemas tem como intenção reunir e organizar dados e interpretá-los para responder a um problema proposto inicialmente. Ao realizar esses escritos, o aluno articula as soluções parciais encontradas no decorrer da elaboração de um projeto, por exemplo. A sistematização pode incluir ainda a apresentação ao público da classe.
Veja a seguir quatro situações didáticas essenciais para o ensino de Ciências.

PESQUISA Observação, leitura, entrevista e estudo do meio desenvolvem a curiosidade. Foto: Marcos Rosa
O que é O estímulo à busca de informações em fontes diversificadas por meio da observação, da leitura de textos, de entrevistas, do estudo do meio e das diferentes tecnologias.
Quando propor Durante o desenvolvimento de todos os conteúdos. A curiosidade e a busca de informações são os combustíveis da ciência e devem ser continuamente estimuladas.
O que o aluno aprende A formular hipóteses, interpretar resultados, elaborar problemas, recolher dados, pesquisar e registrar as informações obtidas.
Como propor Em atividades de busca de informações, o aluno deve comparar e elaborar hipóteses e suposições, estabelecendo relações entre fatos ou fenômenos. Para que a pesquisa em textos - na biblioteca ou na internet - seja produtiva e não apenas uma coleta de dados mecânica, é importante apresentar questões que levantem problemas sobre o tema a ser pesquisado.
Quando propor Durante o desenvolvimento de todos os conteúdos. A curiosidade e a busca de informações são os combustíveis da ciência e devem ser continuamente estimuladas.
O que o aluno aprende A formular hipóteses, interpretar resultados, elaborar problemas, recolher dados, pesquisar e registrar as informações obtidas.
Como propor Em atividades de busca de informações, o aluno deve comparar e elaborar hipóteses e suposições, estabelecendo relações entre fatos ou fenômenos. Para que a pesquisa em textos - na biblioteca ou na internet - seja produtiva e não apenas uma coleta de dados mecânica, é importante apresentar questões que levantem problemas sobre o tema a ser pesquisado.
2. Experimentação

EXPERIMENTAÇÃO Averiguar hipóteses e suposições ajuda a apreender o conhecimento. Foto: Marcos Rosa
O que é A construção de formas de averiguar hipóteses e suposições.
Quando propor Como parte dos projetos e sequências didáticas. O conhecimento é mais facilmente apreendido quando os jovens observam o problema.
O que o aluno aprende Os conteúdos relacionados ao tema em questão - e a encontrar variáveis.
Como propor A atividade não precisa, necessariamente, ser realizada num laboratório. Muitas vezes, a sala é adequada. Diferentemente do que se pensava no passado, as experiências não servem para comprovar informações recebidas em aulas teóricas, mas para verificar hipóteses. Antes de iniciar a montagem do experimento, é preciso tematizá-lo para que a problematização não seja artificial. "O que queremos descobrir?" é a pergunta-chave. Cabe ao aluno prever o que pode ocorrer durante a realização do experimento.
Quando propor Como parte dos projetos e sequências didáticas. O conhecimento é mais facilmente apreendido quando os jovens observam o problema.
O que o aluno aprende Os conteúdos relacionados ao tema em questão - e a encontrar variáveis.
Como propor A atividade não precisa, necessariamente, ser realizada num laboratório. Muitas vezes, a sala é adequada. Diferentemente do que se pensava no passado, as experiências não servem para comprovar informações recebidas em aulas teóricas, mas para verificar hipóteses. Antes de iniciar a montagem do experimento, é preciso tematizá-lo para que a problematização não seja artificial. "O que queremos descobrir?" é a pergunta-chave. Cabe ao aluno prever o que pode ocorrer durante a realização do experimento.
3. Uso de gêneros orais

EXPOSIÇÃO Seminários e debates são formas de dominar e usar a linguagem de textos científicos. Fotos: Paulo Vitale (à esq.) e Marcos Rosa
O que é Explorar formas de falar sobre Ciências, com debates, seminários, dramatizações, entrevistas e exposições (leia a sequência didática).
Quando propor Regularmente, vinculado às sequências didáticas.
O que o aluno aprende A se expressar sobre conteúdos científicos, por meio de diferentes linguagens, e adequar os termos que usa à situação vivenciada. A linguagem empregada num encontro de pesquisadores tem de ser diferente daquela que visa a divulgação científica.
Como propor É importante buscar formas diferentes de falar sobre Ciências. São oportunidades de aprendizagem os debates entre os colegas que devem defender pontos de vista diferentes, a apresentação de seminários sobre os conteúdos estudados, a realização de entrevistas com especialistas e as exposições dos conteúdos aprendidos. Falar sobre uma descoberta recente é um modo de dominar e usar a linguagem específica de textos científicos, gráficos e tabelas.
Quando propor Regularmente, vinculado às sequências didáticas.
O que o aluno aprende A se expressar sobre conteúdos científicos, por meio de diferentes linguagens, e adequar os termos que usa à situação vivenciada. A linguagem empregada num encontro de pesquisadores tem de ser diferente daquela que visa a divulgação científica.
Como propor É importante buscar formas diferentes de falar sobre Ciências. São oportunidades de aprendizagem os debates entre os colegas que devem defender pontos de vista diferentes, a apresentação de seminários sobre os conteúdos estudados, a realização de entrevistas com especialistas e as exposições dos conteúdos aprendidos. Falar sobre uma descoberta recente é um modo de dominar e usar a linguagem específica de textos científicos, gráficos e tabelas.
4. Escrita sobre Ciências

REGISTRO Produzindo textos e esquemas, o aluno organiza melhor o pensamento. Foto: Marcos Rosa
O que é Produção de textos informativos e esquemas crescentemente complexos de forma coletiva e individual.
Quando propor Como parte de projetos e sequências didáticas.
O que o aluno aprende A organizar o pensamento, sistematizar conhecimentos adquiridos e conhecer as características dos textos informativos.
Como propor A escrita pode nascer de uma experiência - o relato dela e de conclusões - ou se constituir no aprofundamento do que foi experimentado, com base na coleta de dados em várias fontes. A produção coletiva da classe sob coordenação do professor é fundamental. Ela garante o registro das discussões e conduz à aprendizagem do texto informativo, incluindo a socialização de ideias e dos modos de formulá-las. As produções devem ser consistentes e prever a utilização de definições e termos cujo significado é conhecido por todos. Aos poucos, com a conquista de autonomia, a atividade pode se tornar individual.
Quando propor Como parte de projetos e sequências didáticas.
O que o aluno aprende A organizar o pensamento, sistematizar conhecimentos adquiridos e conhecer as características dos textos informativos.
Como propor A escrita pode nascer de uma experiência - o relato dela e de conclusões - ou se constituir no aprofundamento do que foi experimentado, com base na coleta de dados em várias fontes. A produção coletiva da classe sob coordenação do professor é fundamental. Ela garante o registro das discussões e conduz à aprendizagem do texto informativo, incluindo a socialização de ideias e dos modos de formulá-las. As produções devem ser consistentes e prever a utilização de definições e termos cujo significado é conhecido por todos. Aos poucos, com a conquista de autonomia, a atividade pode se tornar individual.
Expectativas de aprendizagem em Ciências - 6º ao 9º ano
Confira o que a turma deve aprender no Ensino Fundamental II
O ensino de Ciências deve criar condições para que o aluno faça pesquisas e desenvolva o pensamento crítico e a argumentação sólida. Para tanto, é essencial relacionar os conceitos da área às questões sociais, tecnológicas, políticas, culturais e éticas. Como parte dos conteúdos desenvolvidos de 6º a 9º ano já foi trabalhada nos anos anteriores, é importante sistematizar as ideias científicas de forma estruturada para aprofundar os conhecimentos.
Fonte: Orientações Curriculares da prefeitura do município de São Paulo
Expectativas de aprendizagem
■ Organizar, individualmente e em grupo, relatos orais e registros sobre questões ambientais, estabelecendo
relações entre as informações obtidas em fontes diversas e elaborando sínteses em tabelas, gráficos, esquemas, textos e maquetes.
■ Relacionar a fotossíntese, a respiração celular e a combustão nos ciclos do carbono e do oxigênio
para compreender o papel da vegetação, do desmatamento e das queimadas na atmosfera.
■ Relacionar os sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) ao sistema nervoso.
■ Reconhecer os agravos à saúde física e mental no uso e abuso de drogas, no sexo desprotegido, nas ações violentas e nos esportes radicais, considerando fatores psicológicos, culturais e sociais.
■ Compreender o corpo humano e sua saúde como um todo integrado por dimensões biológicas, afetivas e sociais.
■ Identificar símbolos e outras representações de aparelhos elétricos, como potência e tensão.
■ Compreender a relação entre velocidade e energia de movimento.
■ Comparar diferentes combustíveis, suas origens e seus usos.
■ Sequenciar algumas transformações de energia que ocorrem em máquinas e equipamentos, como nos veículos, na iluminação e em eletrodomésticos.
■ Comparar principais fontes e consumos de energia presentes na matriz energética brasileira.
■ Investigar e comparar diferentes modelos explicativos da constituição da matéria ao longo da história.
■ Identificar e estimar ordens de grandeza de espaço e tempo em escala astronômica, situando a Terra e o sistema solar.
■ Reconhecer a existência da força gravitacional, associando-a à atração entre objetos na Terra e no Universo e relacionando-a às suas massas e respectivas distâncias.
■ Comparar os modelos geocêntrico e heliocêntrico do sistema solar, relacionando-os a diferentes visões e a aspectos sociais, culturais e filosóficos.
Fonte: Orientações Curriculares da prefeitura do município de São Paulo
Expectativas de aprendizagem
■ Organizar, individualmente e em grupo, relatos orais e registros sobre questões ambientais, estabelecendo
relações entre as informações obtidas em fontes diversas e elaborando sínteses em tabelas, gráficos, esquemas, textos e maquetes.
■ Relacionar a fotossíntese, a respiração celular e a combustão nos ciclos do carbono e do oxigênio
para compreender o papel da vegetação, do desmatamento e das queimadas na atmosfera.
■ Relacionar os sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) ao sistema nervoso.
■ Reconhecer os agravos à saúde física e mental no uso e abuso de drogas, no sexo desprotegido, nas ações violentas e nos esportes radicais, considerando fatores psicológicos, culturais e sociais.
■ Compreender o corpo humano e sua saúde como um todo integrado por dimensões biológicas, afetivas e sociais.
■ Identificar símbolos e outras representações de aparelhos elétricos, como potência e tensão.
■ Compreender a relação entre velocidade e energia de movimento.
■ Comparar diferentes combustíveis, suas origens e seus usos.
■ Sequenciar algumas transformações de energia que ocorrem em máquinas e equipamentos, como nos veículos, na iluminação e em eletrodomésticos.
■ Comparar principais fontes e consumos de energia presentes na matriz energética brasileira.
■ Investigar e comparar diferentes modelos explicativos da constituição da matéria ao longo da história.
■ Identificar e estimar ordens de grandeza de espaço e tempo em escala astronômica, situando a Terra e o sistema solar.
■ Reconhecer a existência da força gravitacional, associando-a à atração entre objetos na Terra e no Universo e relacionando-a às suas massas e respectivas distâncias.
■ Comparar os modelos geocêntrico e heliocêntrico do sistema solar, relacionando-os a diferentes visões e a aspectos sociais, culturais e filosóficos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário