- Ler é a capacidade que o ser humano tem de compreender o modo escrito.
- Escrever é a capacidade que este tem de transmitir uma mensagem através da produção escrita.
- Escrever e ler apresentam processos bastante distintos: o facto de uma pessoa ler muito bem não quer dizer que seja capaz de escrever bem, apesar de o desenvolvimento de uma capacidade implicar o da outra.
A Leitura
A leitura é fundamentalmente um acto cognitivo, o que significa que a percepção que se tem da tarefa de ler e dos seus objectivos desempenha um papel determinante, pois é esta compreensão que vai tornar operacionais e eficazes as outras competências para a leitura.
Assim, um bom leitor é aquele que, ao fomentar as operações de tratamento linguístico ao nível lexical e sintáctico de forma automática, vai, também, focar a sua atenção para a construção de um modelo de texto, interpretando-o.
Ler é descodificar, extrair o significado da escrita, daí que a leitura seja vista como um processo interactivo entre o leitor e o texto, através do qual o primeiro reconstrói o significado do segundo.
A leitura é, ainda, vista como um processo interactivo porque diferentes leitores extraem níveis de informação diversificados sobre o mesmo texto, pois possuem níveis de conhecimento diferentes em relação ao tema de que trata o texto, ou seja, a informação que um leitor retira de um texto está dependente do conhecimento que possuí sobre o assunto a que se refere o mesmo.
A leitura ajuda a criança a construir a sua identidade, a sua relação com o mundo e a tornar-se num ser activo e tolerante. Mediante o apelo ao imaginário, a leitura permite-lhe a transposição de universos, a vivência de outros modos de ser, a resolução de conflitos interiores e de problemas de ordem psicossocial.
É, por isso mesmo, um factor decisivo na maturidade da criança, e do adolescente, no seu equilíbrio afectivo, na sua inserção no colectivo da escola e da comunidade em geral. Estes valores e prática contribuirão para a formação de cidadãos conscientes e participativos numa sociedade democrática.
A Escrita
A escrita é um processo manual pelo qual se traduz aquilo que se passa na nossa mente, é um processo através do qual comunicamos sob a forma de escrita.
Antes de escrever a criança tem que estruturar o seu pensamento de forma a transmiti-lo com coerência e clareza, ou seja, a competência de escrita obriga a um crescente controlo produtivo sobre as operações linguísticas de acesso, selecção lexical e sobre a organização sintáctica do enunciado guiado pelas intenções comunicativas.
Deste modo, a escrita obriga a um empreendimento mais dispendioso em termos de atenção, de memória e de tempo que se gasta para desempenhar a tarefa.
A partir de situações concretas e vivenciadas, o pai ou educador deve proporcionar momentos de estimulação que levem ao desejo da expressão escrita, utilizando e diversificando estratégias de ensino/aprendizagem. Importa que o aluno escreva por prazer sem estar preocupado com a sua correcção, pois só assim se exprime com naturalidade e sem inibições.
A leitura requer menos custos de processamento que a escrita visto que, na leitura, o sujeito não tem que planear o seu discurso, limita-se simplesmente a processar (ler) a informação dada por outrém.
Assim, podemos concluir que a escrita é um processo muito mais activo que a leitura e que exige por parte do sujeito um esforço superior.
A aprendizagem de ambas as competências é praticamente exclusiva da escola, já que são consideradas capacidades básicas de instrução. Deverão, portanto, ser responsabilidade da escola o ensino ou treino das seguintes modalidades: - ler silenciosamente como meio de apropriação do sentido do texto, da sua estética e da sua relação com o domínio cognitivo; esta leitura permite "aprender", introduzindo novos elementos, reorganizar a memória, o prazer da leitura; - escrever, como processo de transpor para uma sequência de símbolos gráficos uma mensagem interiorizada - a chamada "escrita livre"; - ouvir, ou seja, criar oportunidades de exposição a discursos orais diversificados permitindo a aprendizagem auditiva das especificidades de cada variante e a extracção da informação relevante desses mesmos discursos; - falar, criar oportunidades de fala em situações diversificadas de contexto situacional, de relação de locutores de modo a "ensinar" os princípios que regulam a interacção verbal com situações diferenciadas; deverá também o discurso oral ser mediador de forma de expressão que dê conta dos aspectos cognitivos destinados a serem comunicados.
Contudo, as crianças constroem ideias (representações mentais) sobre o sistema de escrita, muito antes da entrada para a escola, o que significa que também no campo da leitura elas não são tábuas rasas onde se insere tudo o que o professor transmite. Têm concepções que adquirem previamente à sua entrada para a escola e que vão ajudar a interiorizar as que são adquiridas posteriormente. Mas as experiências pré-escolares das crianças não são todas iguais, o que poderá ser a causa de algumas mostrarem maiores dificuldades em aprender que outras.
Cabe ao professor atenuar as desigualdades, procurando desenvolver na criança um tipo de relação susceptível de integrar e valorizar as diferenças. O papel do professor é também o de colmatar a negligência de estimulação ou carência afectiva do meio familiar da criança, facilitando-lhe espaço e tempo para que ela expresse o resultado das suas experiências vividas, as quais, por sua vez trarão novos interesses e oportunidades para que ela participe em novas experiências.
Para tal, o professor terá de recorrer a vários tipos de documentos e actividades capazes de despertar o interesse dos seus alunos e de desenvolver neles o gosto pela leitura e pela escrita. Torna-se assim, de extrema importância o papel atribuído às bibliotecas escolares e de sala de aula, como um centro de recursos educativos onde se concentram as variadas fontes de informação, educação e lazer e à dinamização das actividades promotoras da leitura e da escrita. |
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